Eis que começamos já a recolher, muito mais cedo do que eu esperava, os resultados da resolução unilateral por parte do Presidente da República, em manter este Governo.
Ficou assim viabilizada a segunda fase de destruição maciça da economia, do emprego e dos direitos dos trabalhadores que efectivamente ninguém defende, um pouco também por culpa dos sindicatos que foram ao longo dos anos renunciando à defesa dos seus trabalhadores associados, tendo ficado descredibilizados.
A decisão repentina da privatização dos CTT em 100% é precisamente o indício de que tudo aquilo que ainda dava lucro em Portugal, está a ser vendido e destruído. Aquilo que dava prejuízo por incompetência dos gestores que estavam à frente dessas empresas acabou sendo vendido também, mas no fundo, livre de prejuízos, como é o caso do BPN, que basicamente e fazendo bem as contas acabou por ser oferecido, uma vez que foi o Estado Português que ficou com o ónus do pagamento de todo o prejuízo.
Seguir-se-à a destruição da Caixa Geral de Depósitos bem como de todos os símbolos financeiros em Portugal. A destruição do estado social e do emprego, das pequenas empresas, o aumento das cargas fiscais, a privatização das águas. Será o caos total.
Esta segunda fase, que o Governo na sua moção de confiança, (à qual eu apelido de moção de desconfiança), será uma fase, não de desenvolvimento e crescimento, tal como é prometido, mas sim de destruição total da economia, que nos colocará mais uma vez numa situação de dependência financeira que nos conduzirá a um segundo resgate e à perda da nossa independência enquanto Nação.
No fundo, aquilo que se está a fazer em Portugal é uma aproximação ao desmedida ao capitalismo, recorrendo-se a modelos teóricos que nunca foram testados mas cujo principal objectivo é a perda da soberania nacional perante as economias mais fortes, num conceito de destruição criativa.
"A destruição criativa ou destruição
criadora em economia é um conceito popularizado pelo economista
austríaco Joseph Schumpeter em seu livro Capitalismo, Socialismo e
Democracia(1942). Ela descreve o processo de inovação, que tem lugar
numa economia de mercado em que novos produtos destroem empresas velhas e
antigos modelos de negócios. Para Schumpeter, as inovações dos empresários são
a força motriz do crescimento económico sustentado a
longo prazo, apesar de que poderia destruir empresas bem estabelecidas,
reduzindo desta forma o monopólio do poder.
"O processo de destruição criadora", escreveu Schumpeter em letras maiúsculas, "é o fato essencial do capitalismo", com o seu protagonista central do empresário inovador."
Reverter esta situação apenas está na mão do Povo, mas para tal é necessário que o povo acorde, é necessário que todos sejam solidários e participativos.
Em determinada altura, não sei se se lembram, o Governo aconselhou os Portugueses a emigrar, já fomos chamados de "piegas", comparados à fábula da cigarra e da formiga, já fomos enxovalhados.
Não será tempo de dizer chega?
Será que ainda existe alguém que acredite que estamos no bom caminho?
Numa altura em que membros do governo são "comprados", aos olhos de todos os Portugueses, para reverter uma demissão mediante uma promoção, colocando os seus interesses pessoais acima dos interesses dos seus eleitores, ainda alguém acredita neste Governo?
Por mim chega. Por mim não votarei, caso ainda este governo esteja no poder aquando das eleições autárquicas, não votarei em nenhum destes governos que ao longo de 30 anos têm destruído Portugal e que nos venderam à Europa pela adesão a uma moeda única (Euro).
PSD, CDS-PP e PS são partidos que para mim já se encontram fora das listas de eleições pois não voto em nenhum destes, seja em autárquicas, seja em que tipo de eleições for.
Bem hajam.
Desde o momento em que entidades externas emprestam dinheiro a um país e na situação em que se encontrava Portugal, o destino fica desde logo traçado.
ResponderEliminarO credor de reis ou de um Estado vai sempre interferir na administração do país tendo em vista garantir o retorno do capital mutuado e ainda o respectivo juro. Quanto mais alta a dívida mais alta a taxa de juro (o que é errado já que alta taxa de juro aumenta ainda mais a despesa pública e a necessidade de aumento de receita).
As privatizações são uma forma de passar para as mãos da aristocracia financeira monopólios que tem como principal característica a obtenção de lucro certo quando bem administrados, e ainda possibilitar o pagamento certo do montante emprestado e ainda do respectivo juro.
No final caro Vítor Silva, o panorama actual da economia Portugal e a saída para esta situação lastimosa resume-se a uma simples equação macroeconómica que só poucas pessoas sabem ou pelo menos revelam:
PIB=C+I+DP+(I-X)
Caro escritor,
ResponderEliminarconfesso-me concordante com o espírito daquilo que afirma. Há um movimento, não de agora, mas das últimas décadas, de privatização (a grupos estrangeiros, em muitos casos) dos nossos grupos públicos (alguns deles, monopólios - caso EDP - ou praticamente monopólios - caso telecomunicações). Essa tendência privatizadora não traz benefícios nenhuns de médio/longo-prazo ao Estado, estripa-o de mecanismos essenciais no combate à crise, e não apresenta vantagens em termos de preço ou de qualidade dos serviços para os consumidores (combustíveis, energia, telecomunicações...).
Este Governo de facto levou esse impulso privatizador a novas fronteiras.
Agora, o que não compreendo é o que tem a ver "o processo de destruição criadora" que foi buscar a um sítio abrasileirado com a questão que aqui conta. Schumpeter apenas descreve o funcionamento de um dos elementos que ele considera essencial ao Capitalismo (a necessidade de constante inovação); o processo de criação destruidora não tem relação, pelo menos directa, com as privatizações; nem casa com a mensagem que pretende passar.
Já agora, é bem haja!